Viagem solitária

Seja o primeiro a avaliar este produto

Availability: Em estoque

R$44,90

Descrição rápida

Viagem solitária
Memórias de um transexual trinta anos depois
João W. Nery
Editora Leya
334 páginas

João W. Nery é atualmente um homem mas nasceu Joana. Como nunca conseguiu aceitar seu corpo de menina, passou uma infância e adolescência muito difíceis, até ter a ousadia de aos 27 anos passar por um procedimento cirúrgico clandestino e transformar-se em homem. Ele aqui relata esse percurso e suas várias adaptações e desafios.

Viagem solitária

Duplo clique na imagem para vê-la ampliada

Reduzir
Aumentar

Mais visualizações

Descrição do produto

Viagem solitária
Memórias de um transexual trinta anos depois
João W. Nery
Editora Leya
334 páginas
14x21 cm

Viagem solitária, de João W. Nery, é um livro autobiográfico que acompanha a trajetória de João, que no final da década de 70 ousou e fez uma cirurgia de mudança de sexo. Nascia ali a história do primeiro transhomem operado no Brasil.
João nasceu mulher, mas sentia-se aprisionado neste corpo estranho, uma sensação que ele reconheceu desde muito cedo.
Foi durante a ditadura militar, em 1977, que se submeteu à primeira cirurgia de mudança de sexo. Naquela época, as clínicas e os hospitais ainda não estavam liberados para fazer esse tipo de cirurgia, e os médicos que se propunham a realizá-las eram considerados mutiladores, a ponto de o médico que operou o João chegar a ser indiciado por lesão corporal por outra cirurgia de mudança de sexo.
João conta desde sua infância reprimida, a adolescência solitária, as dificuldades amorosas, até a perda de seu diploma de psicologia – que deixou de ter validade com a mudança de sexo – e as dificuldades jurídicas quanto ao seu novo nome, os quatro casamentos e seu maior orgulho, a paternidade.

"Este é um livro imprescindível para todos os que queiram ver melhor o espanto que é o ser humano: a dimensão e a importância do componente sexual como fonte da identidade individual e social são aqui penetradas com a vitalidade de uma vida vivida: sofrimentos e alegrias, e misérias e esperanças — não apenas do personagem autobiográfico — compõem esta realidade, e o que daí emerge é um real mais forte do que o captado pela ciência e um romance mais pungente que as ficções romanescas."
Antônio Houaiss

"Este é um livro sobre integridade, um valor muito caro à sociedade de João. Devolve ao leitor o paradoxo da relação entre integridade e mutilação: chegar à mutilação em nome da integridade. "
Hélio Silva, antropólogo

Opinião da leitora Deby no site Skoob

É livro sobre sentimentos/sofrimentos reais de uma mente linda. O texto flui como que numa conversa íntima que se tem com um grande amigo lhe contando as confidências. Dessas conversas que vc é o ouvinte,mas que tem vontade de emprestar um pouco de sua capacidade de sofrer para aquela pessoa para aplacar-lhe um pouco a dor que as convenções a impõe. O autor tem formação em Psicologia e certamente por isso consegue traduzir em palavras tão bem o que se passava externa e internamente em cada situação. Faz análises,duvida,questiona, faz links,um primor. Me pegava de punhos cerrados torcendo para que td desse certo me esquecendo por vezes de que aquela não era uma história de ficção com resultado controlável. Eu não consegui parar de ler. Eu pude enxergar com os olhos voltados para dentro. Eu me humanizei. Vale a pena.

Rodolfo Lima no blog Ilusões na sala escura

A primeira vez que me deparei com o João, não podia imaginar a história que estaria por trás daquela máscara agradável e receptiva. Já tinha lido sobre seu livro, mas na hora não associei a pessoa ao autor. Logo mais João sentou para ver meu trabalho e quando nos falamos pela segunda vez, era uma pessoa comovida e falante que via na minha frente. Sim, João se mostrou generoso, atento, receptivo e bastante curioso. Depois de ler o livro “Viagem solitária” não é difícil supor o quão sedutor ele deve ter sido na juventude, pois ainda guarda traços dessa sedução na forma de falar, de olhar, de pensar antes de articular algo.
Então foi com essa imagem que convivi na leitura do seu livro. Não existia a Joana, apenas o João. Era difícil associar uma coisa a outra já que por vezes achei Joana intolerante, impaciente, e por vezes machista. O pensamento masculino (o machismo) num corpo de mulher me incomoda, mesmo em quem não é “trans”.
O livro de memórias narra sua passagem de Joana para João é pontual em seus detalhes narrativos, reescrito com muita precisão pelo autor, que não deixa dúvidas de como ele quer que você o perceba. Mesmo que não haja autocomiseração João não se furta de em muitos momentos ser o cara confuso, conflituoso, inquieto e mal resolvido. E aquela pessoa não condizia com a que havia conhecido. Mesmo sem grandes intimidades com João, pude perceber o quanto me incomodava sua escrita.
Nem um pouco emocional, nem um pouco facilitadora, nem um pouco generosa. Joana se pintou assim na escrita de João. A sua personagem não abria margens para tantos relacionamentos duradouros, para a generosidade alheia, para a humildade de saber o quanto era difícil para o outro lidar com suas indiossincracias, com a poética do seu corpo em mutação, como seu “eu” remendado de tecidos-peles que nem ele mesmo sabia do que compunha aquela carne abastada.
Sim, Joana foi guerreira, não esmoreceu, lutou por si, mesmo sem saber de fato a “cara” que tinha. Tudo era projeção de uma possível realidade que ansiava viver. Que supunha melhor. Que a tornaria feliz. “Viagem Solitária” é o livro de um vencedor, de uma pessoa que ultrapassou as regras e as condutas do politicamente correto e foi recriar sua história, talhada a cicatrizes na pele.
Caro João, me foi difícil me deparar com uma Joana tão pouco flexível. Com aquela mulher tão infeliz que não temia fazer infeliz os que a rodeavam. O capitulo que melhor resume o livro chama-se “O cego que me ajudou a ver”. Ao aprender com o amigo, João percebe que a vida é muito mais que o olhar e que talvez era isso que viam nele, alguém além de uma androginia, além de trejeitos, da ausência de volumes. De que vale olhar sem ver?
João demorou muito para olhar para si mesmo de forma amena, humilde, amável. Se maltratou tanto que sua falta de autopiedade me incomodou. Não, não somos só um bando de bárbaros que batem no peito descontentes do que nos foi destinado.
O relato de João é cinematográfico, rico em detalhes reconstruídos, mas carece de silêncio entre as ações narradas. Falta conhecemos o que fez com que as mulheres e apaixonassem por Joana, independente da falta do órgão sexual. Sim, todos queremos ser tocados na alma, absolvidos no colo do outro, na poesia dos olhares, da transparência das bocas. Também quis ter me apaixonado por Joana, mas João não deixou. João não amava Joana. Não foi condescente com ela. Precisa urgentemente assassinar esse ser cheio de curvas que se projetava no espelho, chocando com sua projeção. Dor latente do ser que não se acha, não se aceita, não pode conviver no mesmo espaço que outra pessoa.
“Viagem solitária” dá conta de esclarecer o universo da transexualidade. Do poço escuro que essas pessoas são lançadas para sobreviver no meio de tanta caretice, tanto preconceito, tanta gente mal resolvida – e nem precisa ser trans para ser mal resolvida. Meus Deus, quantos trans existem por ai camuflados de gente “normal”.
Parabéns para Letícia que resume tudo o que deveria ser dito sobre transexuais: “Pessoa “trans” é aquela que está em permanente “trans-formação”, disposta a “trans-por” todos os obstáculos. É aquela pessoa que “trans-gride” regras e padrões de conduta , “trans-mitindo” à sociedade, de forma absolutamente “trans-parente”, novas ou inexploradas possibilidades de realização. Pessoa “trans” é aquela que “trans-cende” a si mesma, tentando expressar ao mundo a pessoa que ela realmente é, em vez da pessoa que o mundo acha que ela deveria ser.”
Mas quero deixar registrado aqui que além da relação de João com o amigo cego, da belíssima convivencia com o filho Yuri – sim , parece o pai que todos desejamos ter um dia – nada me sensibilizou mais do que o relato da irmã de Joana:
- Não posso negar que o seu problema me atingiu. Não é fácil perder uma irmã a cujo enterro não compareci. Talvez seja essa morte a que me revolte. A minha infância e adolescência foram partilhadas com Joana. Você a matou! É difícil saber ter amado alguém que nunca existiu realmente da forma que se pensava! Você não surgiu de repente. Não é apenas uma simples pessoa a quem eu fui apresetada e que me limito a gostar, a aceitar ou não. Hoje, se gosto de você, é pelo que já gostei. E onde encontrar agora aquela a quem amei? (…) Agora, responda-me, o que faço com você no meu passado? (pág. 229)
É ai que me peguei pensando… que o livro me arrebatou, pois em contrapartida ao sofrimento de João/Joana havia as pessoas que o rodeavam, há as pessoas que nos rodeiam. E permaneço me perguntando: de que vale olhar sem ver?


Você pode também estar interessado nos seguintes produtos

Heróis e exílios

Heróis e exílios

R$39,00
Era uma vez um casal diferente

Era uma vez um casal diferente

R$65,90
Uma outra verdade

Uma outra verdade

R$29,90
O menino que brincava de ser

O menino que brincava de ser

R$20,50

Tags do produto

Use espaços para separar tags. Use aspas simples (') para frases.