Na ponta dos dedos

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Sarah Waters
Ed. Record
588 páginas

Na ponta dos dedos
apresenta a saga de Sue Trinder e Maud Lilly, duas órfãs na Londres vitoriana, envolvidas num golpe financeiro complicado. O que ninguém conta nas críticas por aí é que, além do estilo literário semelhante a Charles Dickens, a autora lésbica Sarah Waters brinda as leitoras com uma história de amor entre as duas protagonistas rocambolesca, cheia de aventuras e viradas de surpresa. Nada é o que parece...

Na ponta dos dedos

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Descrição do produto

Sarah Waters
Ed. Record
588 páginas
16 x 23 cm

“Acabei de ler Na ponta dos dedos, realmente é ótimo, eu adorei justamente por ser de temática geral e abordar a lesbianidade casualmente. Inclusive a sutileza lembra um pouco a Jane Austen, como deveria ser na época, nada de sexo explícito.Ela me pareceu maravilhosa, gostaria de ler os outros livros dela.”
Opinião de Rute publicada no blog UniversoSapho.


Crítica publicada na revista IstoÉ, assinada por Marcelo Lyra

Em narrativa envolvente, Sarah Waters cria trama intrincada com muito suspense e personagens densos 
 
Quem inicia a leitura de Na ponta dos dedos, da escritora inglesa Sarah Waters, dificilmente vai deixar de associar seu estilo ao de Charles Dickens. De fato, o drama de Sue, a garota órfã de bom coração que mora num cortiço com um grupo de ladrões e vigaristas nos tempos da Inglaterra vitoriana, lembra uma versão feminina de Oliver Twist. Sarah assume essa influência, citando o livro de Dickens pelo menos duas vezes. Mas basta avançar uma centena de páginas para essa impressão ficar para trás. A autora usa a atmosfera dickensiana para tratar da questão da identidade. O que muda na vida de uma pessoa criada por outra família?
Mais que isso, Waters estuda o ser humano como um ambicioso que está sempre procurando dar o pulo do gato. Seu personagem Charles Rivers é um vilão que manipula a todos, da mesma forma que a autora manipula o leitor. Parece a encarnação da serpente oferecendo suas maçãs.
Waters arquiteta seu universo com rara habilidade, permitindo-se ousadias como trocar de narrador e recomeçar a trama, depois de transcorrido cerca de um terço da história. Embora não seja novidade (foi usado, por exemplo, por John Fowles em O Colecionador), o artifício serve à questão da identidade, permitindo-nos ver a trama pelos olhos do outro. O texto impressiona também pela sutileza. Pequenos gestos ou deslizes dos personagens permitem perceber os sentimentos íntimos. Narrando em primeira pessoa onisciente, ela cria uma trama intrincada, repleta de reviravoltas, muito suspense e uma visão feminina do erotismo, que pulsa a cada página. É um sério candidato a livro mais envolvente do ano.”

Sobre a autora

Sarah Waters é apontada pela revista literária Granta como uma das revelações da literatura britânica. Nasceu em Neyland no País de Gales em 1966. Sua mãe, Maria, era dona de casa e seu pai, Ron, um engenheiro que trabalhou em refinarias de petróleo. Seu pai a incentivou a criar e inventar.
Sara começou a escrever logo depois de defender a sua tese de PhD em literatura “Wolfskins and togas: lesbian and gay historical fictions, 1870 to the present”. Ali, ela colheria o material para a maioria de seus romances, que envolvem relações lésbicas na Londres do século XIX. E ela sabe caracterizar como ninguém os seus personagens dentro da era vitoriana, tornando-os bastante verossímeis: são ladrões e golpistas que aplicam desfalques financeiros; ou pessoas com traumas de infância por causa de mães enforcadas ou internadas em manicômios; ou inocentes o suficiente para acreditarem em logros que enganavam não só os daquela época, mas muitos hoje em dia. E a grande maravilha é que o leitor é o principal ludibriado nessa história toda, pois nada do que inicialmente vê nas histórias dela é o que realmente é. Tudo o que um bom suspense policial precisa.
O interessante é que, em muitos lugares, a literatura de Sarah Waters não é catalogada principalmente como lésbica, mas como suspense policial. Isto porque ela usa as relações sexuais como parte da trama e não como foco. E escreve de tal forma que a história não seria possível acontecer sem o relacionamento lésbico. Por exemplo: não seria possível um homem entrar em um presídio feminino inglês do século XIX para ensinar as detentas (Affinity), ou participar de um golpe financeiro se tornando aia e melhor amiga da vítima (Fingersmith).
Na adolescência foi atraída por meninos, mas foi na universidade que primeiro se apaixonou por uma mulher.Com a exceção de seu mais recente livro, The Little Stranger, todos os seus livros contêm temática lésbica, e ela não se importa em ser rotulada como escritora lésbica. Por conta da orientação da autora, em seus livros, a homossexualidade recebe um olhar honesto e delicado.
Sarah vive em um apartamento vitoriano no último andar em Kennington, no sudoeste de Londres e vive com seus dois gatos.
Livros: Tipping the Velvet (1998), Affinity (1999), Fingersmith (2002), The Night Watch (2006),The Little Stranger (2009).
No Brasil, foram publicados até agora: Na Ponta dos Dedos (Fingersmith) e Ronda Noturna (The Night Watch).

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