Descrição do produto
Lésbicas na TV: The L Word
Adriana Agostini
Editora Malagueta
240 páginas
12 x 17 cm
Alice, Jenny, o casal Bette e Tina, e a super sedutora Shane marcaram o imaginário de milhões de mulheres do mundo inteiro. Primeiras protagonistas lésbicas de uma série televisiva, as cinco personagens centrais de The L Word, assim como toda a constelação de personagens lésbicas, transgêneros, bissexuais e mesmo heterossexuais à sua volta, levantaram durante as seis temporadas do seriado questões as mais variadas de identidade e orientação sexual, embaladas em drama com atrizes lindas.
Adriana Agostini analisa o significado e o impacto desta pioneira série e das personagens, dando uma valiosa contribuição
Sobre a autora
Adriana Agostini nasceu em Juiz de Fora e vive em Belo Horizonte desde 1992 junto de sua companheira inseparável, a schnauzer Frida. Jornalista, atuou como repórter da área econômica dos principais jornais de Minas, na sucursal da Gazeta Mercantil, além de ter trabalhado como free lancer para a revista Vogue e o jornal O Estado de S. Paulo. Pariticipou das coberturas internacionais do Gay Games V e VII, que aconteceram em Amsterdam e Chicago. Graduada em Comunicação Social e em Direito, a escritora é especialista em Comunicação e Semiótica, pela PUC Minas, e Mestre em Comunicação Social pela UFMG. Atualmente, é funcionária pública da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais. Na área acadêmica, dedica-se a pesquisar temas relativos à lesbianidade e séries de tv.
Trecho da introdução
Séries de TV, lésbicas e personagens. A partir desse tripé, pretendemos entender de que forma The L Word conseguiu criar e manter ao seu redor uma rede social virtual de lésbicas jamais vista, que se formou durante a exibição da série em fóruns virtuais para debater temas relativos à própria sexualidade, bem como falar sobre suas personagens prediletas e os rumos da trama. Para entender essa conexão entre o programa e as telespectadoras, observamos a trajetória de cinco personagens da série The L Word, o que nos ajudou a compreender de que modo elas se abrem como espaços para a criação de vínculos com as telespectadoras, especialmente as homossexuais, a partir da forma como apresentam o universo lésbico.
The L Word é o primeiro programa na história da televisão a colocar um grupo de lésbicas sob holofotes. Tem o mérito de reunir numa só série tipos de personagens já testados isoladamente, especialmente no cinema. Entre alguns filmes que já trouxeram tipos e situações semelhantes às vividas pelas personagens de The L Word, podemos lembrar do pioneiro Go Fish (TROCHE, 1994) e de Desejo Proibido (ANDERSON, COOLIDGE, HECHE, 2000).
Na televisão, além de ser pioneiro na temática, o programa também se presta ao estudo da mídia num momento marcado pela convergência de meios, pois, da mesma forma que outros produtos contemporâneos, recorre, a todo momento, à complementaridade dos dispositivos, o que acaba por garantir um contato mais frequente e próximo do telespectador, por exemplo por meio da internet, mudando, consequentemente, a forma de fazer e de ver televisão.
Após um longo trabalho de pesquisa, iniciado em agosto de 2008, assistimos aos 70 capítulos da série, exibidos em seis temporadas, e identificamos algumas pistas para o desenvolvimento da dissertação de mestrado que deu origem a este livro. A primeira delas foi a de ver que, no programa, as personagens ocupam um lugar de destaque, firmando-se como a grande atração da trama.
A segunda constatação foi que a série não tem apenas uma protagonista, diluindo e alternando momentos de destaque entre as integrantes de um grupo de amigas lésbicas. Constatamos, ainda, que a apresentação das personagens da série e, consequentemente, de tudo que elas traziam para a tela, aciona muitos temas importantes para a comunidade lésbica, que estão presentes na agenda política contemporânea. A partir daí, observamos quais seriam as cinco personagens mais significativas, uma vez que seria impossível a análise de todas. Optamos por perseguir aquelas que estiveram presentes do primeiro ao último capítulo. São elas: Alice Pieszecki (Leisha Hailey), Bette Porter (Jennifer Beals), Jenny Schecter (Mia Kirshner), Tina Kennard (Laurel Holloman) e Shane McCutcheon (Katherine Moennig).
Para facilitar a leitura das temporadas, criamos quadros descritivos sobre todos os episódios De cada episódio, destacamos os seguintes tópicos: (i) sinopse, com o título em inglês e em português; (ii) temas – destinado a mostrar o assunto proposto pelo episódio, por exemplo, lésbicas e maternidade; (iii) acontecimentos – identifica os principais fatos ocorridos; (iv) cenas de sexo – identifica os pares formados durante o episódio; (v) diálogos – espaço dedicado às falas consideradas mais significativas para nossa pesquisa. A partir daí, ficou mais fácil imaginar o tipo de abordagem teórica de que necessitaríamos para alcançar o objetivo da pesquisa.
Para manter coerência com os títulos dos episódios, optamos por começar todos os capítulos deste livro com a letra “L”, deixamos, assim, nossa homenagem ao “L world” da “L Word”. No primeiro capítulo, a leitora encontrará uma discussão sobre o pano de fundo que norteia nosso trabalho: a identidade lésbica. O tema é complexo e há pouca bibliografia disponível publicada no Brasil. Para observarmos de que forma a lesbianidade se apresenta num programa de entretenimento da televisão, foi importante, no segundo capítulo, entender como essa mídia se posiciona na contemporaneidade, especialmente a partir da nova força dada ao telespectador, que se faz mais presente por meio das novas tecnologias.
Interessou-nos principalmente trazer um breve histórico sobre a evolução das séries, e consequentemente da TV, e um olhar mais aprofundado sobre a relação entre TV e telespectador, pensando principalmente que a TV deve evoluir para manter a adesão do telespectador, que hoje parece depender, em muitos casos, de uma extensão dos programas das telas para a web. Desse modo, pudemos ter pistas da forma como The L Word e outros programas recentes utilizam e atualizam a linguagem televisiva.
Depois desses dois grandes temas – lésbicas e televisão –, afunilamos nossa pesquisa e dedicamos o terceiro capítulo à série em questão. Fizemos uma apresentação de The L Word, mostrando sua trajetória, impacto, evolução por temporadas, relação com as telespectadoras, críticas de público e de estudiosos, além de comentários do próprio elenco, produção e da criadora, Ilene Chaiken.
No quarto capítulo, chegamos finalmente ao recorte de nosso objeto: a personagem. Tratamos brevemente do papel da personagem na ficção, ressaltando especialmente os possíveis laços que possam criar com o telespectador. Concluído esse percurso, iniciamos o detalhamento das cinco personagens que nos dispusemos a acompanhar. Por fim, na conclusão do trabalho, identificamos elementos que nos indicam como a série The L Word conseguiu se conectar às telespectadoras e manter uma ligação também entre elas, o que está presente principalmente nas redes sociais.
Como nosso trabalho busca observar principalmente a forma como The L Word consegue se relacionar com as telespectadoras, principalmente as lésbicas, tratamos o público do seriado no feminino e, quando nos referirmos ao público da televisão em geral, utilizamos a palavra comum aos dois gêneros. Este livro se destina a colaborar em pesquisas relativas à lesbianidade e televisão. Abre-se, também, ao leitor em geral, tanto aos fãs da temática lésbica quanto aos fãs de seriados e especialmente às apaixonadas por The L Word.
Este livro é acompanhado de um guia dos episódios do seriado, no qual a autora analisa as principais cenas, temas mais importantes e personagens envolvidas. Se quiser fazer o download gratuito, clique aqui.
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