Descrição do produto
Depois daquele beijo Rafaella Vieira Editora Brejeira Malagueta 184 páginas 12 x 17cm Caterine é a nova menina na classe. Linda de morrer, interessada por livros e música, descolada, super intensa, ela vira a melhor amiga de Michelle, que até então não se dava muito bem com ninguém. Só que, durante o projeto de filmagem para a matéria de artes, as duas descobrem que um beijo pode ser perfeito demais – e mudar tudo o que acontece depois. As descobertas vão se sucedendo, e as complicações também. Um romance teen ambientado em Recife, com todo o calor das praias de mar verde e o charme da terra do frevo.
Apresentação de Adriana Falcão
Passei minha adolescência no Recife, nos anos 70.
Naquele tempo, tudo era muito diferente: a cidade, os adolescentes, os conflitos, o mundo inteiro.
Uma das coisas que mudou muito, e para melhor, é ter em mãos um livro contemporâneo, tão bem escrito, cujo cenário é o Recife. (Na minha época, isso seria impensável.)
Em Depois daquele beijo, a Avenida Boa Viagem, a Rua Sá e Souza, os recantos recifenses, ocupam um lugar muito importante. Inclusive no coração da gente.
Já estávamos acostumados a ler histórias que se passavam na Quinta Avenida, no Quartier Latin, ou na Avenida Atlântica. Rafaella, e seu talento como escritora, colocou o Recife contemporâneo na prateleira dos livros para jovens e nós só temos que agradecer por isso.
O talento de Rafaella, aliás, ainda vai nos levar longe, pelo visto.
Viva a nova grande autora pernambucana! A literatura brasileira agradece.
Sobre a autora
Rafaella Vieira, antes de se dedicar inteiramente à literatura teen, trabalhou como advogada por seis anos. Ela nasceu e mora em Recife, mas gostaria de morar em um dos seus livros. Atualmente ela escreve sem parar.
Blog: http://seteminutosnoparaiso.blogspot.com/.
E-mail para contato: rafavieira_1@yahoo.com.br .
Trechinho
Fizemos uma reunião para agrupar as ideias para a refilmagem. Toda a ajuda era necessária, de modo que eu, a Cat, o Renato, a tia Jaque, o Jorge, o Gregório e a Valéria estávamos conversando na minha casa. Estes dois últimos acabaram se juntando ao nosso grupo no projeto de artes e ficaram muito animados porque também haviam adorado o roteiro.
– Você parece uma jujuba de tão gostosa que é. Na moral, se eu pudesse, eu te chupava até você derreter – Renato cochichou no meu ouvido.
Caso não tenha notado ainda, ele é o maior psicopata.
– Renato, faz um favor?
– Qualquer coisa, princesa.
– Toma no cu e vai preso! – gritei e todos olharam para mim.
– Pô, eu achei que quando a filmagem acabasse a gente podia fazer um sexo selvagem.
Eu apenas o olhei furiosa.
– Não? Sem sexo selvagem então.
– Fique bem certo disso, seu abestalhado – assegurei.
– Eita, você me tortura, sabia, Michelle? Como você consegue dormir à noite?
– Em lençóis de seda importados do Egito.
Eu virei para a Caterine.
– Posso atirar nesse mamão?
– Não em público – ela respondeu rindo.
– Quando perguntarem, diga que eu tive motivos para matá-lo.
– Eu direi.
Tudo bem, o assassinato do Renato podia esperar, pois as filmagens tinham que ser rápidas já que todos queríamos acabar antes de as provas começarem.
Levamos três dias para terminar tudo. Tia Jaque ajudou muito dando seus toques pessoais de romantismo às cenas. Ela foi basicamente a diretora de fotografia e cenógrafa. A Valéria filmou e o Greg também filmou algumas tomadas e ajudou na direção. O Renato foi brilhante como ator e se comportou na medida do possível. E a Caterine foi perfeita como ela é.
No dia em que as filmagens acabaram, eu e ela estávamos ouvindo música na beira da piscina e tomando o milkshake que a Jaque tinha feito para nós antes de ir para sua aula de pilates – mas eu havia acompanhado a preparação só para o caso de ela querer colocar vodca ali. Estava tocando Perfect little secret de Snow Patrol:
It's not as if I wanted
To fall so hard for you
Or even understand
This won't conful them
I love you my own way
I love you better
I love you inside all this
I love you forever...
– Ai, que calor! – a Caterine disse.
Eu fiquei olhando enquanto ela tirava a blusa pela cabeça. Depois ela tirou a calça jeans e ficou só de calcinha. Desviei a cabeça para o outro lado e depois voltei a olhá-la. Eu a encarei atônita vendo-a ali quase nua com sua calcinha azul-clara e a pele toda branca, os cabelos escuros lisos caindo pelas costas e pelos ombros, os peitos pequenos e duros com mamilos rosados. Ela parecia uma escultura perfeita. O corpo magrinho e delicado, apenas ressaltado pela curva da bunda. A bunda dela parecia maior do que quando ela estava de calça. O negócio é que ela era toda linda. Toda. Perigosamente linda.
– Vem, meu amor – ela esticou a mão para mim e eu levantei.
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