Descrição do produto
Bíblia e homossexualidade
Verdades e mitos
Alexandre Feitosa
Metanoia Editora
112 páginas
14x21 cm
Este livro é fruto de uma análise inovadora daqueles textos bíblicos que, supostamente, condenam a homossexualidade e são frequentemente usados para intimidar homens e mulheres homossexuais.
Com paciência e bastante conhecimento teológico, o autor analisa as passagens “condenatórias” da Bíblia, proporcionando uma visão pouco explorada no meio teológico. A obra permite assim abrir as portas da inclusão para milhares de cristãos homoafetivos antes excluídos em virtude de uma interpretação equivocada das Escrituras.
O que o autor espera não é um debate entre os favoráveis e aqueles contrários à homoafetividade, mas a libertação de muitos que vivem sob um jugo não imposto por Cristo, mas construído ao longo dos séculos por uma interpretação literalista da Bíblia Sagrada.
Sobre o autor
Alexandre Feitosa, é licenciado e bacharel em Letras pela Universidade de Brasília (UnB), especialista em Língua Portuguesa pela Universidade Salgado Oliveira do Rio de Janeiro (Universo) e mestrando em Teologia Histórica pela Escola de Teologia do Espírito Santo (Esutes).
Atuou como professor em faculdades teológicas no Distrito Federal e atualmente faz parte do quadro efetivo da Secretaria de Educação do DF (SEE/DF).
Dedica-se ao estudo do tema “Bíblia e homoafetividade”, possuindo diversos artigos publicados.
Introdução
Por que escrever um livro sobre uma visão positiva da homoafetividade a partir da Bíblia? A resposta é muito simples: nos países ocidentais, religiosamente embasados no Cristianismo, o principal argumento contra a homossexualidade busca suas fontes na autoridade dos textos bíblicos, cujas interpretações tradicionais conduzem a uma visão heterocêntrica para a moral sexual da humanidade. Essa visão heterocêntrica tem sido, ao longo da História secular e religiosa, responsável por uma série de (pré)conceitos acerca da diversidade sexual humana; conceitos que marginalizam, dividem e destroem inúmeras vidas diariamente. Em outras épocas, utilizando-se da Bíblia, grupos religiosos apoiavam e defendiam a escravidão, a segregação racial, a inferiorização da mulher e outras formas de preconceito. Hoje, a mesma Bíblia é utilizada para a exclusão de pessoas homossexuais.
Veremos, ao longo do livro, que a Bíblia reflete uma moral acerca da sexualidade sob o prisma das sociedades patriarcais em que foi concebida, especialmente o patriarcado judaico. É natural que a Bíblia não tenha abordado conceitos que seriam construídos apenas muitos séculos depois do fechamento do cânon sagrado. No entanto, à primeira vista e sob uma análise superficial, encontramos na Bíblia “provas” de que a homossexualidade é uma prática pecaminosa e, consequentemente, desaprovada por Deus.
A noção que a maioria das pessoas tem sobre a homossexualidade está relacionada apenas ao aspecto sexual, exatamente porque a Bíblia, ao mencionar atos homogenitais, o faz sem nenhuma conexão com a afetividade e o compromisso mútuos. Esse fato favorece a ideia de que pessoas homoafetivas não são capazes de sentir e se expressar além do componente sexual. Tal visão deve ser revista. Uma nova reflexão, a partir dos textos bíblicos, é o primeiro passo rumo ao reconhecimento da diversidade sexual enquanto aspecto natural da existência humana.
A homossexualidade é um conceito amplo, que ultrapassa os limites da libido e abrange uma gama de elementos emocionais e psicológicos tal qual ocorre com a heterossexualidade. Por essa razão, atualmente, o termo homoafetividade traduz com mais precisão esse aspecto da diversidade humana e tem sido usado com uma frequência cada vez maior. Homoafetividade não é sinônimo de homogenitalidade. O componente sexual como entrega recíproca deve ser a consequência de sentimentos que começam num olhar e terminam no compromisso estável entre as partes envolvidas. O amor é um sentimento universal, e não constitui exclusividade dos heterossexuais. É uma capacidade de todo ser humano, como assim o são os homossexuais, igualmente capazes de gerar em outrem ou nutrir por outrem um amor sincero e autêntico. A Bíblia não trata desse assunto, apenas faz referências a atos homogenitais em contextos e situações muito diferentes das uniões homoafetivas estáveis de hoje. Nada há na Bíblia, condenável, que se relacione com o compromisso motivado por um sentimento de amor e companheirismo entre duas pessoas do mesmo sexo.
É preciso desmitificar as ideologias teológicas tradicionais que afirmam ser a homossexualidade ilegítima para Deus. O principal argumento consiste em provar que a mensagem bíblica não abordaria um conceito desconhecido por seus primeiros receptores. Foram examinados os principais textos bíblicos utilizados pelo Cristianismo ortodoxo, utilizando as regras universais da Hermenêutica e da Exegese para uma compreensão mais exata, transparente e honesta, eliminando possíveis focos de distorção aos textos sagrados. Aqui, utiliza-se, principalmente, o método históricocrítico de interpretação. Tal método considera as várias instâncias situacionais de produção dos textos sagrados – fatores históricos, culturais, antropológicos e linguísticos – a fim de se promover uma perfeita compreensão, contextualização e aplicação (ou não-aplicação) de alguns textos bíblicos para a igreja e a sociedade de hoje.
O livro traz duas seções distintas: o Antigo Testamento e a homossexualidade; e o Novo Testamento e a homossexualidade.
Em ambas, são apresentados os textos na ordem em que aparecem na Bíblia. Um apêndice sobre Davi e Jônatas constitui um capítulo à parte.
Cada capítulo terá um título-síntese das ideias defendidas:
Antigo Testamento:
1 – Gênesis: a criação e a importância da contextualização;
2 – Sodoma: orgulho, violência e falta de hospitalidade;
3 – Levítico: os cananeus e a prostituição cultual;
Novo Testamento:
4 – Os Evangelhos: um reconhecimento à diversidade sexual;
5 – Romanos: as práticas orgíacas das bacanais e demais cultos romanos;
6 – Coríntios e Timóteo: prostituição masculina, devassidão e sexo abusivo entre homens.
Pretende-se mostrar, por meio deste trabalho, o amor inclusivo de Deus a todos, principalmente àqueles que, por causa de sua afetividade, encontram-se à margem, não se sentindo dignos de tal amor. Assim, este livro tem um caráter evangelizador, mesmo que essa evangelização se dê no coração daqueles que creem em Deus e já O servem em igrejas cristãs não-inclusivas. Afinal, Evangelho é sinônimo de boas-novas. A intenção deste trabalho é que sua mensagem sirva de instrumento para o conhecimento da verdade que liberta dos jugos impostos por doutrinas que geram a homofobia, mesmo em sua forma mais branda. O amor de Deus pela humanidade é tamanho que alcança todos, homens e mulheres, independentemente de etnia, sexualidade ou qualquer outro tipo de diferença que possa marginalizar os seres humanos.
Os avanços rumo ao reconhecimento da homoafetividade estão cada vez mais presentes nos estudos teológicos da modernidade. Muito se tem produzido, em nível acadêmico, sobre a igreja e a homossexualidade, sempre em uma visão positiva e inclusiva. Igrejas históricas como a Luterana e a Anglicana vêm se mostrando cada vez mais abertas ao Evangelho inclusivo de Cristo, bem como setores minoritários das igrejas Batista e Metodista. Importantes teólogos como Philip Yancey, Desmond Tutu, Leonardo Boff, Don Evaristo Arns, entre outros, já se mostram favoráveis a uma teologia da inclusão para estruturas cristãs de um modo geral.
A Teologia Inclusiva, como a própria denominação sugere, é um ramo da teologia tradicional voltado para a inclusão, prioritariamente, das categorias socialmente estigmatizadas como os negros, as mulheres e os homossexuais. Seu pilar central encontra-se no amor de Deus pelo homem, amor que, embora eterno e incondicional, foi negado pelo discurso religioso ao longo de vários séculos. A Teologia Inclusiva contempla uma lacuna deixada pelas estruturas religiosas tradicionais do Cristianismo, pois, por meio da Bíblia, compreende que todos os que compõem a diversidade humana, seja ela qual for, têm livre acesso a Deus por meio do sacrifício de Jesus Cristo na cruz. Ao menos na maioria das igrejas cristãs, os negros e as mulheres já desfrutam de um tratamento igualitário, conquistado após séculos de exclusão injusta, “aparentemente embasada” nas Escrituras.
Hoje, ao menos uma categoria da diversidade humana ainda luta pelo direito à inclusão nas variadas estruturas religiosas cristãs no Brasil e no mundo: os homossexuais. A Teologia Inclusiva busca demonstrar, pelas Escrituras Sagradas, que a homossexualidade constitui outro aspecto da alteridade humana, tão natural quanto a cor da pele ou dos olhos, por exemplo. Não constitui, em si, uma nova teologia, mas um aspecto teológico fundamentado na dignidade da pessoa humana, nas necessidades individuais de homens e mulheres e na valoração da identidade de cada ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus. O principal objetivo não é persuadir os cristãos heterossexuais sobre a legitimidade da homossexualidade.
Este trabalho destina-se, principalmente, a revelar aos cristãos homossexuais que não há barreiras que os impeçam de vivenciar plenamente sua afetividade e exercer sua fé em Deus com transparência e intimidade. É um livro para aquelas pessoas que desejam conhecer um pouco sobre o que, de fato, a Bíblia diz sobre o assunto. Um livro para aqueles que tentaram, de alguma forma e pressionados pela religião, “libertar-se” das “inclinações” homossexuais e não obtiveram mudança, mas, antes, experimentaram um sentimento de fracasso e frustração.
Se uma vida apenas for alcançada por essa boa-nova, terá valido a pena cada momento dedicado à produção deste livro.
Entrevista com o autor dada ao site Livraria GLS
Alexandre Feitosa é autor dos livros “Bíblia e homossexualidade: Verdades e mitos” e “O prêmio do amor”. Feitosa tem 34 anos, é licenciado e bacharel em letras, já atuou como professor em faculdades teológicas, e cursa atualmente graduação em Teologia e pós graduação em Teologia Histórica. Alexandre conversou com a Livraria GLS sobre Homossexualidade e religião.
Livraria GLS - Em seu livro “Bíblia e homossexualidade” você dá outra interpretação às passagens bíblicas sobre a homossexualidade. Você acredita que uma nova visão da sociedade em relação à interpretação da Bíblia seria um grande passo para a homossexualidade deixar de ser vista com preconceito?
Alexandre - Certamente. As raízes da visão homofóbica atual encontram-se no entendimento tradicional das Escrituras, retrato fiel do patriarcalismo e da tradição judaico-cristã. A Bíblia representa a principal fonte de autoridade nos diversos segmentos cristãos, portanto, quando a interpretação tradicional revela-se um mito, isso tem um impacto enorme na forma como as pessoas enxergam fenômenos como a homossexualidade. Essa mudança de perspectiva gera, automaticamente, um caminho gradual rumo ao fim de antigos sentimentos e atitudes, como a homofobia.
Livraria GLS É sabido que uma grande fatia da população é adepta a alguma religião, e essa fé faz parte ativamente de suas vidas. É possível afirmar que muitas vezes esse indivíduo “necessita” da aprovação de “Deus” para assumir-se homossexual. Sendo assim, na sua opinião é possível que este indivíduo “troque” de religião para obter o “aval” de Deus?
Alexandre Sim, perfeitamente possível. Conheço histórias de pessoas oriundas de igrejas protestantes e que, mais tarde, optaram por religiões de matriz espírita, em que a homossexualidade não é vista sob a mesma ótica da condenação. Entretanto, normalmente, o cristão de orientação homossexual tende a abandonar seu grupo religioso de origem a fim de vivenciar sua sexualidade com mais liberdade, embora tal vivência sofra interferências negativas provenientes da homofobia internalizada, fruto de seu histórico religioso.
Livraria GLS - Numa visão inversa, vemos alguns jovens afirmar terem “se convertido” ou “ se curado” de sua homossexualidade a partir da fé em sua religião. Você acha possível que essas pessoas consigam sustentar essa “heterossexualidade” até o fim de suas vidas?
Alexandre - Sim, é possível, e bastante comum, inclusive. Entretanto, o preço é alto demais. Abrir mão da identidade, dos anseios afetivos e emocionais é algo que marca profundamente a vida de uma pessoa, e de forma danosa, certamente. Algumas se entregam a uma situação extremamente mais difícil de sustentar: o casamento heterossexual; outras escolhem um caminho diferente, menos difícil, mas igualmente doloroso: a vida celibatária, ambas configurando como uma negação sumária de sua verdadeira identidade sexual.
Livraria GLS Em sua opinião, até que ponto a religião influencia a sociedade fazendo com que os homossexuais não se aceitem e, consequentemente não vivam sua condição homoafetiva e tenham uma relação saudável e estável?
Alexandre As religiões cristãs são as principais responsáveis não apenas pela homofobia, mas também pelo que se denomina homofobia internalizada, ou seja, o homossexual discrimina a si mesmo, interpretando sua sexualidade como impura, pecaminosa, vil, eliminando, assim, as possibilidades de uma realização pessoal plena no campo afetivo. Muitos enclausuram-se enganosamente em uma vida celibatária forçada, sem respaldo nas Escrituras.
Livraria GLS - Hoje em dia verificamos um aumento do número de igrejas denominadas “inclusivas”. Em sua opinião, essa tendência pode influenciar também a igreja católica em iniciar uma aceitação a homossexualidade?
Alexandre - Sim, pode. Embora as igrejas inclusivas de origem protestante estejam na vanguarda, já existem pastorais e grupos católicos voltados para a inclusão de pessoas com orientação homoafetiva. Tais grupos contam, inclusive, com o apoio informal de alguns sacerdotes. É claro que uma aceitação plena da homossexualidade pela Igreja Católica é algo a ser construído ao longo de décadas – ou pode ser que jamais ocorra. Contudo, temos exemplos vivos de avanços em igrejas históricas, como é o caso da Igreja Anglicana.
Livraria GLS - É muito comum e quase “moda” programas sensacionalistas confrontarem religião versus homossexualidade. Os argumentos são sempre os mesmos e as discussões parecem não ter fim. Especificamente “do lado” da religião os pastores baseiam-se na “palavra de Deus” explicitas na Bíblia para justificar sua homofobia. Na sua opinião, o que seria necessário fazer, na prática, para mudar a mentalidade desses pastores em aceitar que possa realmente existir outras interpretações plausíveis para a homossexualidade nas Escrituras Sagradas?
Alexandre - O primeiro passo é conhecer com profundidade o que, de fato, é homossexualidade. O conceito que tais pastores conhecem sobre a homossexualidade é superficial e falacioso demais para dar lugar a reflexões bíblicas mais profundas e exatas. Eles confundem práticas homogenitais (descritas na Bíblia em determinados contextos – inexistentes hoje) com homossexualidade. Há uma grande confusão entre comportamento homossexual (apresentado na Bíblia) e constituição homossexual, ou seja, orientação sexual (conceito ausente na Bíblia). A teologia tradicional os entende como sinônimos, o que gera a interpretação equivocada e, consequentemente, a homofobia religiosa. O segundo passo é um trabalho de desconstrução e reconstrução das interpretações tradicionais – geralmente seletivas e literalistas – a partir de métodos de interpretação confiáveis, como é o caso do método histórico-crítico.
Livraria GLS Em seu livro “O prêmio do amor”, você aborda o sexo e suas variantes sob a luz dos fundamentos bíblicos. O que o leitor pode esperar desta obra?
Alexandre A Bíblia se cala quanto à homoafetividade (ou homossexualidade), entretanto, está repleta de princípios. Tais princípios são universais e representam autoridade para os cristãos. É sobre tais fundamentos que a vida afetiva, tanto de heterossexuais quanto de homossexuais, será regida. O leitor irá deparar com uma obra que buscou dignificar o sexo como expressão legítima da sexualidade de pessoas com orientação homossexual, demonstrando que os princípios contidos nas Escrituras não o condenam, mas o exaltam quando em um contexto de amor e compromisso mútuo. Livraria GLS - Você tem projeto em publicar outros livros com essa mesma abordagem entre homossexualidade e religião? Alexandre - Sim, um terceiro livro sobre os fundamentos da Teologia Inclusiva está em fase inicial de escrita.
Livraria GLS - Para finalizar, qual o seu conselho para aquele que vive no dilema entre assumir-se gay ou respeitar os princípios de sua religião?
Alexandre - Para essas pessoas afirmo que Deus está acima de qualquer religião. Deus, mais que ninguém, valoriza a identidade que Ele mesmo determinou para seus filhos. A sexualidade é um dom divino, Deus no-la entregou para que desfrutássemos dela com responsabilidade e amor, sentimento este que emana de Si mesmo, capacitando-nos à doação e ao crescimento mútuo. Aconselho tais pessoas a conhecerem melhor o que, de fato, diz a Bíblia sobre a homossexualidade. Para finalizar, deixo as palavras de Cristo, registradas no Evangelho de João, capítulo 8, versículo 32: Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.
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