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Tríbades galantes, fanchonos militantes

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Homossexuais que fizeram história
Amílcar Torrão Filho
296 páginas
Edições GLS

Como não nos ensinam na escola quem foram os gênios e famosos que amaram pessoas do mesmo sexo, esta obra supre aquelas aulas de história com informações deliciosas, todas documentadas, de quem foi caso de quem entre as celebridades. Referência.

Tríbades galantes, fanchonos militantes

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Homossexuais que fizeram história
Amílcar Torrão Filho
296 páginas
Edições GLS

14 x 21 cm

"Achei uma obra séria, dentro de seus propósitos."
Roberto R. A., Nova Gama-GO

"Gostei do Tríbades galantes pelo seu aspecto bem construído. Uma linguagem simples mas com teor científico bastante informativo."
Francisco M. S., Manaus-AM


Alexandre Magno, Júlio César, o imperador Adriano. Safo, Sócrates, Sólon.
O épico de Gilgamech. O mito de Ganimedes. O famoso ladrão Robin Hood.
Os gênios Leonardo da Vinci e Miguel ngelo. Fernando Pessoa e António Botto.
Os brasileiros Antonio Nunes e Felipa de Souza. As damas galantes de Catarina de Medici. Padres e monjas.
Gertrude Stein e Alice B. Toklas. A escritora Virginia Woolf. Lorde Byron. Rosa Bonheur. Os poetas Oscar Wilde e Federico García Lorca. Lota de Macedo Soares e Elisabeth Bishop.

O homoerotismo faz parte da história humana desde os seus primórdios. De reis e rainhas a grandes escritores, de atrizes famosas a humildes missionários, homens amaram homens, e mulheres amaram mulheres em todos os países do mundo, em todas as épocas.
Neste livro, um historiador brasileiro conta a vida, os escândalos, os amores e conquistas de homossexuais sobre os quais há relatos e provas. Cita poemas romanos, árabes e judeus, reproduz uma cerimônia cristã de casamento entre dois homens. Passa pela Inquisição e a psicanálise, chegando com bom humor e fatos pouco conhecidos até os nossos dias.
O professor e historiador Ronaldo Vainfas declara na apresentação que o livro é excelente. No tema escolhido, na maneira sensível de tratar o objeto, na recusa de estereótipos, ainda que politicamente corretos, na seleção dos personagens, na interpretação histórica da temática. E, vale dizer, é livro muitíssimo bem escrito, elegante e cuidadoso.


Trecho

As grandes damas de Paris

Na passagem do século XIX para o XX, pela primeira vez na história podemos falar de uma subcultura lésbica que se desenvolveu nas grandes cidades, principalmente da Europa. Apareceram desde bares para lésbicas operárias até elegantes cafés e cabarés para mulheres ricas e independentes. Estas, principalmente, irão criar redes de contato e grupos, aos quais conhecemos melhor porque geralmente tratava-se de escritoras, atrizes, cantoras, mulheres que deixaram registros para a posteridade, de próprio punho ou na descrição de seus contemporâneos.
Na Berlim do início do século XX, havia inúmeros clubes para homossexuais, como o Eldorado, de travestis, o Admirável, de gays e o Escorpião e o Maly, para lésbicas. Para Louise Brooks, o sexo era o negócio da cidade, e grandes estrelas do cinema alemão freqüentavam estes lugares, considerados da moda, como Brigitte Helm, a Maria do filme Metrópolis. Em Londres, o grupo de Virginia Woolf e seu marido, Leonard Woolf, conhecido como Bloomsbury, se não era um grupo de homossexuais, atraiu a muitos, como Vita Sackville West, John Maynard Keynes etc.
Lésbicas famosas ousavam levar uma vida aberta com suas amantes. Jane Addams (1860-1935), que ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1931 e foi eleita por muitos anos seguidos como a mulher mais ilustre dos Estados Unidos, não fazia segredo de seu relacionamento, que durou quarenta anos, com Mary Rozet Smith. Em suas viagens, telegrafava antecipadamente aos hotéis para reservar uma ampla cama de casal para as duas.
Um dos poucos registros não urbanos de lesbianismo trata das virgens juradas da Albânia e de Montenegro. Estas mulheres, habitantes das regiões montanhosas da fronteira atual da Albânia e da Iugoslávia, vestiam-se de homens e participavam de todas as atividades masculinas, indo ? guerra e casando-se com mulheres, sendo muito respeitadas nas comunidades que as reconheciam publicamente como homens; muitas dedicavam-se a cantar e a compor canções. Algumas delas tornavam-se homens por questões de sucessão, para poderem herdar terras em famílias sem herdeiros masculinos, mas muitas faziam isso por vontade própria, para adquirir um status masculino mais elevado e levar um estilo de vida lésbico sem romper o equilíbrio social do grupo. Eram chamadas de virgens juradas porque deveriam, uma vez tomando a identidade masculina, manterem-se sem contato sexual com homens ou mesmo engravidar; esta tradição muito antiga era comum na virada do século e ainda hoje encontram-se umas últimas remanescentes desta prática, apesar de não haver mais necessidade, com a urbanização e as leis de igualdade de herança entre homens e mulheres.
Aquelas de quem trataremos aqui foram, porém, sofisticadas mulheres que freqüentaram os mais deslumbrantes salões da Europa.

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