Descrição do produto
Cassandra Rios
304 páginas
Editora Brasiliense
16 x 23 cm
Numa época em que não se podia falar publicamente sobre lesbianismo e outras formas alternativas de amar, o presente romance funcionou como um verdadeiro manual - um catecismo amoroso, com dicas de locais e advertências contra certos perigos à comunidade. O público, assim como a personagem central, Andréa, é iniciado numa jornada interior de autodescobrimento e afirmação.
Andréa, como a maioria dos homossexuais daquela época, não tem nenhuma imagem lésbica positiva para se espelhar. A Berenice, competente professora de história num mundo machista onde o lesbianismo supostamente não existe nem tem história, cabe a tarefa de guiar a moça numa aprendizagem de sexo, de livros proibidos, de prazeres que não ousam dizer o nome.
As traças narra o desabrochar de uma paixão avassaladora e proibida entre uma jovem de classe média paulistana e uma encantadora mulher mais velha.
Apesar de muitas coisas terem mudado desde a publicação original deste romance, os conflitos e a euforia vividos por Andréa continuam atualíssimo, pois são próprios da paixão. As traças é uma história de amor entre mulheres que optaram por falar, gritar e lutar para não morrerem silenciadas e esmagadas entre as páginas da história.
Rick J. Santos, professor de Literatura e Estudos da Mulher, Nassau Community College, State University of New York
Cassandra Rios
Cassandra Rios, cujo nome real era Odete, nasceu em 1932 em São Paulo e faleceu no dia internacional da mulher, 8 de março de 2002.
Foi uma escritora polêmica, que ficou conhecida pela ousadia de suas obras, consideradas por alguns como pornográficas, por outros como irresistíveis. Nas décadas de 1960 e 1970, foi das escritoras brasileiras que mais vendeu livros, chegando à marca surpreendente de 300 mil exemplares por ano, algo de que apenas Jorge Amado chegava perto na época. Foi também uma das mais perseguidas pela censura, tendo tido nada menos do que 34 de seus romances retirados de circulação pela ditadura militar.
Suas obras misturavam lesbianismo, cultos umbandistas, negócios e política, mas ela marcou a imaginação de milhares de adolescentes e jovens com as descrições diretas, sem rodeios, de encontros sexuais os mais variados. Pode-se dizer que foi a primeira escritora brasileira a mostrar a mulher como um ser sexual, com desejos próprios muito além de ter filhos.
Foi também a pioneira em retratar as lésbicas nas letras brasileiras, ainda mais por apresentá-las como pessoas cuja natureza é homossexual, não resultado de doença ou passível de re-educação como se acreditava na época.
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