A primeira dança

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Histórias de amor entre mulheres
C.Cassidy e Barbara Grier (org.)
224 páginas
Edições GLS

Coletânea de contos românticos organizada pelas editoras da célebre Naiad, primeira editora do mundo dedicada às lésbicas, sediada nos Estados Unidos e hoje não mais em funcionamento.

A primeira dança

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Histórias de amor entre mulheres
Christine Cassidy e Barbara Grier (org.)
224 páginas
Edições GLS
14 x 21 cm

"Falar sobre meninas que gostam de meninas é um hábito bem mais comum e cristalizado em determinados países do que o é no Brasil. Se essa constatação pode parecer óbvia demais, tê-la em mente nos ajuda a compreender A primeira dança História de amor entre mulheres, coletânea de contos publicada nos EUA em 1996 e traduzido pelas Edições GLS dois anos mais tarde.
Não se tratam de altos vôos estilísticos, e mesmo a trava das diferenças nos imaginários manipulados pelas 23 autoras norte-americanas prejudica aqui e ali nossa total identificação com as? personagens.
A intenção é, na realidade, a de tornar o mais natural e corriqueiro possível o painel de mulheres interagindo entre si. Seja indo às compras, lembrando do passado, cogitando do futuro ou indo às vias de fato, mordendo o fruto proibido. Isto porque, afinal de contas, ninguém é de ferro."
Andréa Ormond, autora de Longa carta para Mila?

Das sombras do jardim sai uma figura misteriosa para dançar com a menina mais bonita da classe.Durante a colheita de frutas silvestres, uma jornalista da cidade vai aos poucos se apaixonando pela dona do sítio.Um acidente de carro termina em um encontro excitante com uma policial rodiviária.
Como eu gostaria que você e eu estivéssemos dançando no jardim, sob as estrelas, como fizemos no ano passado... escreve uma fazendeira ? sua amante durante a Guerra Civil.Escritas por mulheres para mulheres, 23 histórias que falam sobre o amor, a paixão e o desejo num universo exclusivamente feminino.

Trecho

Jane se virou e percebeu dois pontos amarelos, os faróis de um carro que vinha vindo lentamente pela estrada. O sofrimento e auto-piedade pelo acidente deram lugar a uma sensação de alívio assim que ela reconheceu a insígnia da polícia rodoviária. Ela fez sinal para o motorista e esperou enquanto ele estacionava no acostamento, em frente ao seu carro.
O cascalho fazia ruído sob as botas de couro pesadas do oficial, o indecifrável chiado do walk talk amplificava-se a cada passo.
A senhora está bem? Jane sorriu ao perceber que a oficial era uma mulher, e ver o brilho prateado de suas divisas na manga de sua jaqueta. Finalmente a cidade tinha aceitado mulheres na força pública!
Sim, eu estou bem, mas não posso dizer o mesmo sobre o carro. A oficial chegou mais perto, e Jane notou que ela era uma cabeça mais alta do que ela. Jane não podia ver os seus olhos, escondidos pela sombra do brim de seu quepe, mas o seu rosto de maxilar forte era sério, sem sorrisos, sua voz baixa e estável.
O que foi que aconteceu por aqui?
Embaraçada, Jane explicou a seqüência dos fatos, tropeçando nas palavras ? medida que ia ficando mais atrapalhada.
Você não andou bebendo, andou? foi a pergunta gelada.
Jane entrou em pânico. Grande! Agora esta tira vai me multar por beber e dirigir!
Não, oficial. Quero dizer, sim. Mas só umas duas taças de vinho, isso foi tudo. Sabe, eu estive na reunião da minha turma de segundo grau...
Do Jackson Collegiate?
S-sim. Jane gaguejou. Seria isto um minúsculo traço de sorriso nos lábios da oficial?
Siga-me. Foi o que Jane fez, seguindo a oficial até a parte traseira de seu carro. Ela olhou para os ombros largos, o porte atlético e o modo confiante de andar da mulher ? sua frente. Ela a fazia lembrar de... alguém de quem ela não conseguia se lembrar. Mas ela já tinha visto este andar antes, estes ombros, estas costas largas. Jane juntou os papéis do porta-luvas, abriu a porta de passageiros do carro patrulha e entrou. O calor em seu interior a fez lembrar repentinamente do frio que estava sentindo.

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