Papai, mamãe, sou gay

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Guia para compreender a orientação sexual
R.Riesenfeld
220 páginas
Edições GLS

Homossexuais sempre enfrentam um desafio dramático quando descobrem sua orientação sexual, que é informá-la a seus pais e familiares e fazê-los compreender que se trata de uma alternativa natural da sexualidade humana, não um erro ou problema psicológico.
Esta obra aborda todos os preconceitos mais comuns, explicando com cuidado o verdadeiro significado da homossexualidade. Recomendadíssimo para pais e filhos.

Papai, mamãe, sou gay

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Um guia para compreender a orientação sexual
Rinna Riesenfeld
220 páginas
Edições GLS
14 x 21 cm

"É um livro maravilhoso, pena que nem todos tenham a mesma visão que os autores. Nunca deixem de publicar livros com temas polêmicos como esse e que ajudem no relacionamento entre pais e filhos."
Andréia M., Jóia-RS

Da introdução da autora

Este livro é dirigido a todo pai, mãe, parente e amigo de um homossexual, a quem considere importante, a quem ame e com quem deseje melhorar sua relação, através da compreensão, da aceitação, da proximidade e do diálogo.
Vivemos rodeados por uma grande quantidade de mitos, preconceitos, medos e estereótipos sobre os homossexuais que confundem a nossa visão e não nos permitem enxergar a verdade. Por isso, a informação que você encontra aqui se baseia tanto em estudos científicos quanto em relatos de experiências pessoais que tentam responder dúvidas, bem como proporcionar uma visão mais positiva da homossexualidade e dos homossexuais.
Aqui você encontra inúmeros depoimentos de homossexuais, seus familiares e amigos que quiseram partilhar suas experiências de vida com a esperança de ajudar a outras pessoas. Você aprenderá sobre os problemas reais que muitos homossexuais têm que enfrentar em uma sociedade homofóbica.
Nestas folhas, é aberto um espaço de questionamento ? s crenças e normas seguidas a partir da falta de conhecimento sobre o assunto.
Vivemos num mundo cheio de variedade no que se refere ? maneira de ser, que por vezes não conseguimos ver por estarmos centrados em como deveriam ser em vez de dar-nos conta de como cada um é.
Não há um tipo de comportamento no qual todos nós, seres humanos, coincidamos, como resultado de nossas formas de sentir, pensar ou agir. Ainda que exista uma maioria, sempre haverá gente que vive de maneira diferente. Não existe apenas uma religião, uma cor de pele, nem uma única orientação sexual, e é isso que nos torna maravilhosos, pois temos a possibilidade de aprender com os outros. É a centelha da vida.
Se fôssemos todos iguais, não haveria o que compartilhar, e este livro não teria razão de ser. Ser diferente não transforma ninguém em um monstro.

Trecho

Filhos nem sempre cumprem as expectativas dos pais

Apesar de sabermos que ser mãe ou pai implica na possibilidade de lidar com conflitos, socialmente se fala mais sobre outros tipos de dificuldades do que em ter uma filha ou filho homossexual. Saber com certeza que um filho ou uma filha é gay não é fácil, especialmente no começo. Vivemos em uma sociedade que há séculos gera uma tradição de medos e mitos a respeito da homossexualidade e dos homossexuais, assim como uma idéia pouco agradável e também pouco realista do que são.
Em nossa cultura, no dia a dia, são usadas palavras como homossexual, puto, veado, mulher-macho, lésbica etc., de forma pejorativa, dando a entender que se trata de algo terrível e que envolve medo, vergonha, desonra e, talvez, doença.
Isto torna extremamente complexa e desconcertante a experiência de ouvir a frase? ? sou homossexual de alguém que é importante para nós. A notícia abre um novo capítulo na história da família e na vida de seus integrantes, não importando se eles haviam suspeitado anteriormente ou se foi uma surpresa total, se descobriram casualmente, por uma carta, um telefonema, cara a cara ou de qualquer outra maneira. Cada situação é diferente, mas o simples fato de saber com certeza produz uma mudança.
Não existe uma forma de reagir diante da notícia de que uma filha ou um filho é gay. Cada pessoa responde fazendo o melhor possível, ainda que ? s vezes esta não seja a melhor maneira. Neste livro, escolhi as situações mais comuns para que possam servir de referência e apoio em sua experiência pessoal.

Comoção

Muitos pais e mães vivenciam uma comoção ao receber a notícia: ficam gelados, não sabem o que dizer ou fazer; sentem como se um balde de água fria tivesse caído sobre eles. De repente parece que tudo mudou, que aquela pessoa com quem conviveram durante tanto tempo não é o que pensavam. Sentem-se desconcertados e temerosos, como se o tempo tivesse parado. Outros mantêm a esperança de que o que estão ouvindo não seja a verdade e fantasiam que tudo é um sonho ruim e que não demorarão em acordar.

Pai: Senti vontade que o chão se abrisse e me engolisse naquele mesmo instante. Não queria enfrentar algo assim.

Mãe: Tinha a esperança de que fosse um sonho, que tivesse escutado mal, que fosse uma brincadeira. Eu não soube o que fazer.

Mãe: Nossa primeira reação foi dizer que o amávamos e que nada havia mudado. Mas a verdade é que por um bom tempo ele foi um estranho para nós; não sabíamos o que dizer, o que fazer, nem como nos aproximarmos dele.

Pai: Não conseguia falar, não sabia o que dizer. Acho que passei vários dias sem querer ficar em minha casa.

Mãe: Depois da notícia adoeci, literalmente. Passei meses com diarréia, gripe, dor de cabeça. Conforme fui digerindo, fui melhorando.

Se este é o seu caso, gradativamente, conforme aprenda um pouco mais, você perceberá que mesmo que sinta que tudo mudou ou que o perdeu, isso não é verdade. Seu(sua) filho(a) é o(a) mesmo(a) de ontem e a única coisa que mudou é que agora você sabe que sua atração sexual e afeição dirigem-se a pessoas do mesmo sexo, algo que provavelmente já era assim antes que você soubesse.

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