Descrição do produto
Cassandra Rios
Editorial Azougue
144 páginas
12x18 cm
"Eu, que já li de tudo na vida, não percebi o que vinha pela frente e terminei a leitura boquiaberta. É daquelas histórias que a gente fica lembrando depois, pensando nossa!."
Laura Bacellar, São Paulo
"Pois é e essa sapata histórica! está me fazendo perder o sono, revirar na cama, enchendo minha cabeça de curiosidades e excitação...
Afinal, o que se passa na cabeça de uma escritora, como foi a vida de Cassandra e como foi a vida de Odete Rios? Pensamentos que me veem à cabeça.
Cassandra Rios... Por que não a desenterramos e a botamos num pedestal, num altar das lésbicas históricas, das mulheres, das escritoras, romancistas? Exagero meu ou entusiasmo, euforia?
'Uma grande romancista, ignorada pelo preconceito', sem dúvida...
Para mim um livro e seus motivos são um grande mistério, como acontece o processo criativo, parece mágico. Não sou uma leitora ávida muito menos conhecedora da literatura e seus grandes autores.
Estou descobrindo Cassandra Rios agora aos 26 anos, li apenas quatro de dezenas de livros seus e posso reconhecer o porque me atraem e me prendem a leitura. São estórias de amor e sexo entre mulheres onde a vida das personangens são narradas e apresentadas de tal forma que para mim parecem tão reais... Temos Lyeth e Irez; Pascale e Nelita; Anastácia e Marcela entre outras.
Hoje mesmo, de madrugada, numa só sentada, li o livro Eu sou uma lésbica e agora graças a uma editora histórica! devo, com o maior prazer e como um desafio para mim, deixar meu comentário que em poucas palavras pode ser registrado como: Um livro inteligente, definido, engraçado, direto e sem dúvida muito excitante e também questionador. Simplesmente Cassandra!
'Vamos brincar de gatinho?'. Quero mais."
Ana Rita., Ribeirão Preto-SP
Trecho
Me aproximei do rosto atônito de dona Kênia, dei uma lambidinha seca e rápida no seu queixo, segurei o seu rosto com as minhas mãozinhas inocentes e o lambi; desci para o pescoço e, antes que tivesse tempo de interceptar o meu gesto ou entender o que estava acontecendo, minha boca já arrepanhara o bico de seu seio, que tirei para fora do decote, segurando aquele fofo e macio volume com minhas cariciosas e satânicas mãozinhas.
Foi tudo muito rápido para que ela tivesse uma reação de repúdio pela minha atitude. Estava muito perplexa e sem saber como analisar meu comportamento, para censurar-me. Eu estava acelerada numa ideia fixa pela sensação de temperatura de seu corpo, pelo estímulo físico do aroma que trescalava de seus cabelos, e pelo que julguei que haveria de saboroso no seu seio, cujo bico estava em minha boca.
Agora o gatinho tá com fome e quer mamar.
Cassandra Rios
Cassandra Rios, cujo nome real era Odete, nasceu em 1932 em São Paulo e faleceu no dia internacional da mulher, 8 de março de 2002.
Foi uma escritora polêmica, que ficou conhecida pela ousadia de suas obras, consideradas por alguns como pornográficas, por outros como irresistíveis. Nas décadas de 1960 e 1970, foi das escritoras brasileiras que mais vendeu livros, chegando à marca surpreendente de 300 mil exemplares por ano, algo de que apenas Jorge Amado chegava perto na época. Foi também uma das mais perseguidas pela censura, tendo tido nada menos do que 34 de seus romances retirados de circulação pela ditadura militar.
Suas obras misturavam lesbianismo, cultos umbandistas, negócios e política, mas ela marcou a imaginação de milhares de adolescentes e jovens com as descrições diretas, sem rodeios, de encontros sexuais os mais variados. Pode-se dizer que foi a primeira escritora brasileira a mostrar a mulher como um ser sexual, com desejos próprios muito além de ter filhos.
Foi também a pioneira em retratar as lésbicas nas letras brasileiras, ainda mais por apresentá-las como pessoas cuja natureza é homossexual, não resultado de doença ou passível de re-educação como se acreditava na época.