Descrição do produto
Marina Porteclis
240 páginas
Editora Malagueta
12 x 17 cm
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"Terminei de ler Shangrilá!!! Adorei!!! Único defeito: Acabou rápido demais...hehehe Eu teria adorado mais 100 páginas!!!"
Priscila O., Carapicuiba - SP
"Li Shangrilá quase num pulo! Ansiosa pelo desfecho... Uaauuu...!!
O romance tem brilho e ousa bastante na temática lésbica, com estilo, sensualidade, com o maior orgulho. É super envolvente. A gente toma partido, se entristece, ri, fica na torcida pra dar certo, sofre junto. É que nem assistir a um filme- veja só a cena do fogo contra fogo na mata e a luta da heroína;a angústiae o alívio, a alegria com o vento que resolve dar uma forcinha e pôr fim à quase tragédia no amado engenho. E a volta da amazona pra casa, cansada, suja de fuligemporém feliz,para os braços e os devidos cuidados da veterinária. Aaahhhh...!!Meiguíssimo.Esse romance dá o que falar e, quando uma história de livro ou filme nos pega desse jeito, é um bom sinal."
Emily, São Paulo - SP
"Leitura irresistível! Eu mesma encontrei meu shangrilá aqui neste livro. Misto de amor, beleza, ação, sensibilidade e força. Apaixonei-me por Marina e Mariana. Esta é a literatura lésbica contemporânea muito bem representada. Uma salva de palmas à essa obra fantástica!"
Ana Rita, Ribeirão Preto - SP
"Meninas, Shangrila é simplesmente show, amei, li como se diz aqui no Ceará de uma sentada só."
Ada, Fortaleza - CE
Mariana Villa-Real é uma moça de personalidade forte. Neta de donos de engenho de cana-de-açúcar na região da mata de Alagoas, ela é a patroinha que laça o gado, entende de colheita, sabe o que mandar fazer nos canaviais. É também amazona de beleza exótica, que impressiona quem a observa pela maestria com que resolve os problemas do Engenho Mata Verde.
E são muitas as moças que a observam.
Januária, a veterinária atraída de forma irresistível; Kimber, jovem paulista que chega com a família para passar o fim de ano; e Fabíola, a prima que foi o primeiro amor de Mariana mas agora está noiva de Vicente.
Num ritmo acelerado, as mulheres se envolvem, enfrentam, provocam. E Mariana procura com quem dividir Shangrilá, o refúgio mágico que construiu em seus sonhos.
Sobre a autora
Marina Porteclis nasceu no dia 26 de agosto de 1978 em Brasília, onde morou apenas durante os primeiros anos de vida. Ainda criança, foi trazida para o Nordeste, onde sedimentou suas raízes e cresceu.
Morou em Maceió até os 23 anos quando, concluindo a faculdade de Direito, mudou-se para Recife, cidade em que vive até hoje. Mora com a companheira, com a qual divide mais do que a casa: a vida, em sua inteireza.
É funcionária pública federal durante os dias e escritora durante as noites. Nas madrugadas abandona o avesso da tela e migra para dentro dela, onde se sente genuinamente viva.
Mantém um blog (marinaporteclis.blogspot.com), onde publica poesias, crônicas e contos eróticos femininos. Pretende continuar, como diria Clarice Lispector, escrevendo distraidamente, ao correr da máquina, não por profissão: apenas por instinto.
Trecho
Enquanto a ansiedade tomava sem piedade cada um dos nervos de Mariana, os convidados, acompanhados dos anfitriões da casa, tranquilamente almoçavam na enorme e farta mesa disposta na varanda, alheios à catástrofe.
Quando ela, finalmente, chegou à sede, atravessou o mangueiral e entrou oitão a dentro com cavalo e tudo, parando a metros do primeiro batente que dava acesso à casa, para o espanto de todos. Os que não a conheciam amedrontaram-se pela surpresa, pela audácia daquele cavalo tão enorme quanto belo e, principalmente, pelo semblante bravio e exótico da amazona que o domava com força e técnica visíveis. Já os que a conheciam, pela pressa e consternação demonstradas, imediatamente supuseram: havia acontecido alguma desgraça!
E foram exatamente estas as palavras usadas por Mariana, dirigindo-se exclusivamente ao pai, sem fazer qualquer menção de cumprimento aos demais. A pressa não lhe permitia.
A avó, perplexa, num aceno de cabeça orientou Dionísio a acompanhá-la, mas Mariana logo intercedeu dizendo que já havia tomado as providências e que ela própria resolveria o caso. Mais importante seria que o pai fosse a Viçosa e trouxesse, de qualquer jeito, o delegado para que ele assistisse, pessoalmente, a mais um atentado. Era o mínimo, depois de tanta negligência para com o caso, emendou Mariana furiosa.
Até aquele momento, o doutor Barreto não havia, sequer, informado se havia averiguado a placa do caminhão retirado do atoleiro. Limitara-se a rebocá-lo e, desde então, não tinha feito contato, o que era absurdo aos olhos de todos. Mas, daquela vez, Mariana o poria contra a parede ou mesmo no meio do fogo, se fosse preciso.
Por apenas um segundo, roubado em meio a tantas palavras emolduradas pela raiva e pela pressa, Mariana direcionou o olhar à prima. E, naquele breve instante, ao perceber que os olhos da outra já pousavam fixos em si, seu corpo pareceu antecipar o fogo que estaria por enfrentar em meio ao canavial que distava dali bons quilômetros.
Não sabia a amazona que a quentura atingia e consumia também o corpo de Fabíola que, boquiaberta desde o primeiro momento, a olhava com intensidade, captando cada detalhe não apenas de seu anúncio mas, sobretudo, de sua presença. Rever Mariana daquela forma, em meio àquela confusão e o pior, na iminência de sair dali correndo para sujeitar-se a tanto perigo, trouxe à tona, com força absurda, o desejo de abraçá-la, de possuí-la e de impedi-la de ir embora de sua vida novamente. E foi atônita que Fabíola concluiu o quanto ainda a queria e com a mesma intensidade das chamas que a outra encontraria em poucos instantes. Naquele lapso de olhares partilhados, ela sentiu como se o tempo passado fosse reatado ao presente e elas, feito numa aliança, emendassem o dia em que tinham se beijado àquele momento de reencontro tão inusitado quanto quente.
Enquanto isto, naquele mesmo segundo roubado, valendo-se de perspicácia tão peculiar, Kimber reconheceu em Mariana uma igual. Aqueles gestos, aquela forma de enfrentar o desconhecido, de rumar ao inesperado munida de tanta força e resolução e, sobretudo, aquele jeito quase másculo, que lhe fez lembrar um belo rapaz de cabelos longos, cuja feminilidade era denunciada apenas pela boca bem feita, pelas coxas que, apesar de musculosas, estavam sensualmente delineadas na calça jeans justa e pelos seios firmes, cuja suavidade das curvas contrastava com os ombros largos e definidos, expostos pela camiseta, eram características muito próprias das mulheres que, como ela, amavam outras mulheres.
Mas não foi apenas esta a constatação que animou a expectadora: Mariana, definitivamente, fazia seu estilo, confabulou Kimber que, ao contrário da outra, fazia o gênero feminino que apreciava por demais o estilo menino. E foi ao se deparar com estas surpresas que ela logo arquitetou: aqueles dias poderiam até se tornar divertidos.
Alheia aos olhos azuis que também a queimavam, Mariana deu as costas e saiu mais do que depressa, erguendo a poeira avermelhada.
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