Bom, na verdade essa matéria é mais sobre o casal malagueta do que sobre a editora mas vá lá, divulgaram um pouco nossa cultura na revista Bárbara de março de 2010.

Um tempero na literatura
ELAS SÃO BEM-RESOLVIDAS, SEGURAS E FELIZES, JUNTAS. A HISTÓRIA DE QUEM TRANSFORMA O AMOR ENTRE IGUAIS EM OBRAS DE CABECEIRA
Por Taís Lambert
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A Editora Malagueta é a primeira e única na América Latina a lançar livros com conteúdo voltado para mulheres homossexuais. Idealizada e dirigida por Hanna Korich, 52 anos, e Laura Bacellar, 49 anos, que vivem uma relação homoafetiva há cinco anos, a Malagueta publica romances, contos e ensaios escritos por mulheres e para mulheres, com a perspectiva de quem pertence a uma minoria. Mas as fundadoras avisam: “A gente foca nas lésbicas leitoras para não ficar explicando o básico, mas claro que heterossexuais, pansexuais, seres avessos a rótulos, homens de todas as orientações, marcianos e venusianas são muito bem-vindos para ler as obras da Malagueta”.

O projeto de criar a editora partiu de Laura Bacellar. Formada em editoração pela Universidade de São Paulo, a profissional já reunia experiência no mercado editorial com passagem pelas maiores editoras do país. “Eu sabia que estávamos órfãos de produtos culturais voltados para as lésbicas. Só não entendia por que, já que havia interesse desse público em consumir”, explica.
As duas se conheceram em 2004, durante um encontro cultural promovido por Laura. O namoro começou no mesmo ano e em 2007 elas se casaram oficialmente por meio de uma escritura de convivência homoafetiva, um documento que garante aos homossexuais os mesmos direitos de um casal heterossexual que mantém uma união estável. Em 2008, nascia a Editora Malagueta.
Ao contrário de Laura, que sempre assumiu sua orientação sexual, Hanna Korich é de uma família judia e mantinha escondida sua homossexualidade. Formada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Hanna sofreu muito para se aceitar e há apenas três anos abandonou a advocacia – profissão que exercia de forma intensa – e assumiu sua orientação sexual. “Eu tinha dificuldades em lidar com os meus sentimentos e foi nos livros que eu me encontrei”, explica. “Comprava todos os livros da coleção GLS, editada pela Summus”. Mal sabia ela que, anos depois, se casaria com a responsável pela criação do selo – a experiência de Laura no ramo editorial inclui o lançamento pioneiro do primeiro selo editorial dirigido a minorias sexuais, as Edições GLS, editadas pela Summus, em 1998.
“Foi na literatura que eu consegui ajuda para resolver meus problemas pessoais, familiares e profissionais. Com os livros, eu pude perceber que as coisas não eram tão complicadas como eu imaginava”. A parceria e o casamento deram certo. A Editora também promove encontros mensais em diversas cidades do país com o objetivo de discutir a temática da homossexualidade. O último Conversa sobre Literatura Lésbica na Serra aconteceu em fevereiro, na cidade de Gonçalves, em Minas Gerais.
Os livros da Malagueta não abordam a homossexualidade como pecado, sofrimento, solidão ou insucesso. Aliás, é hora mesmo de estar em outro nível.