Laura Bacellar e Hanna Korich dão entrevista à Rádio Cultura Brasil, de São Paulo. Falam por quase meio hora sobre a pimenta literária no programa Galeria, comandado pelo super simpático Alexandre Ingrevallo. Ouça aqui.
Nova autora gaúcha
Adriana Nicolodi, jovem autora lá de Porto Alegre, faz sua estréia nos livros com o envolvente romance Mesa 27. Simpática e assumida, a obra acompanha as tentativas de Nina, uma chef que trabalha num pequeno restaurante em Montreal, de conquistar uma médica lindíssima, rica, famosa e... casada. Numa linguagem informal e bem-humorada, vamos seguindo de perto aquele nervosismo de se meter a cara e ir atrás de alguém impossível, aquela eletricidade no ar de um encontro mágico e toda a intensidade do início da paixão. Para quem gosta de romances rasgados, de amor incondicional, de paixão que faz tremer, aqui estão páginas de uma ótima diversão. Mais uma autora independente que nós da Malagueta promovemos com o maior prazer, em busca de uma cultura lésbica ativa e vibrante.
Malagueta na revista IstoÉ
Saiu uma reportagem simpática na revista IstoÉ de 30 de setembro de 2009, na seção comportamento, assinada pela jornalista Verônica Mambrini, que menciona a pimenta literária e nossa próxima autora, Karina Dias. Confira.
No mundo das lésbicas
Nas baladas e eventos de mulheres homossexuais se constata que elas querem um espaço próprio, independente dos homens gays
A DJ Nina Lopes, 37 anos, toca todo sábado na primeira festa fixa voltada para lésbicas de São Paulo. "De um ano para cá, teve um boom de baladas para mulher. Temos eventos de sexta e sábado toda semana e outros esporádicos, uma vez por mês ou a cada 15 dias", conta. Alguns chegam a atrair 2,5 mil pessoas. Nas baladas para mulheres homossexuais, a paquera é sutil. Em vez de abordagens agressivas, as meninas dançam coladas, lançam olhares, esperam uma resposta. Na Superdyke, festas homossexuais femininas, no UltraClub, onde Nina comanda o som, o público está na casa dos 20 anos. Se em lugares públicos namoradas nem sequer podem dar a mão despreocupadamente, lá, casais dão beijos apaixonados. Na pista, garotas dançam bem perto, encaixando os corpos, numa liberdade difícil de imaginar numa festa heterossexual. As atrações da pista são o ponto alto da noite, com shows de gogo dancers e strippers - moças se aglomeram ao redor do palco e gritam, assoviam. No lounge, casais namoram, conversam e dão risada, como se estivessem em bancos de parque, mas sob a proteção das quatro paredes da casa. As lésbicas querem um espaço só delas.
"Quando se fala em movimento gay, as pessoas nem pensam em mulheres. Então é um jeito de dizer que existimos" Karina Dias, escritora
Em 2 de dezembro de 2009 saiu essa matéria simpática no site da Pequenas Empresas Grandes Negócios.
Editora brasileira lança títulos voltados para o público lésbico
A Malagueta surgiu em 2008 e já produziu três títulos, além de vender obras de literatura lésbica de outras editoras
Por Rafael Farias Teixeira
Alguns dos títulos vendidos na loja virtual da Editora Malagueta.
Era uma vez um grupo de amigas lésbicas que não tinham muitos “era uma vez” lésbicos para ler no dia a dia. Decidiram se juntar, então, e formar uma editora que publicasse obras voltadas para esse público. Sob a direção de Laura Bacellar, 49 anos, formada em editoração pela Universidade de São Paulo, a Editora Malagueta abriu suas portas – virtuais – em 2008. “Fazemos parte de uma minoria, mas não uma minoria pequena”, afirma Laura, que acredita que o L da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) não receba a mesma atenção que os gays do sexo masculino. “O público lésbico ainda é invisível. As pessoas têm dificuldade em aceitar que ele existe. Os gays aparecem mais e isso não é demérito. Eles conquistaram esse espaço.” Para mudar isso, a Malagueta procura levar autoras conhecidas do gênero da internet para o meio impresso, além de promover eventos que discutam o tema. “Existe cultura lésbica. E pessoas pensando nessa cultura”, diz Laura. “Nós queremos abrir um espaço maior para que mais pessoas conheçam esse universo.” Além de lançar títulos originais – a editora já possui três publicados – a Malagueta comercializa livros de literatura lésbica de outras editoras em sua loja online. No dia 17 deste mês (quinta-feira), lançará sua quarta obra, “Aquele dia junto ao mar”, da autora Karina Dias, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, a partir das 18h30. A trama acompanha a tumultuada história de amor de Duda, uma estudante de educação física, e Gabriela, uma garota de programa complicada e cheia de más companhias.
Comentários de leitoras
Várias simpáticas leitoras e Hanna Korich, uma das sócias da Malagueta, comentam o livro Amores cruzados, de Fátima Mesquita.
Malagueta em Pernambuco!
No dia 17 de setembro aconteceu na Livraria Cultura de Recife o 1º. Encontro sobre Literatura Lésbica de Pernambuco e o lançamento do livro Shangrilá de Marina Porteclis. Foi ótimo! O auditório encheu de gente (veja as fotos), a conversa foi de um nível altíssimo, a plateia ficou bastante interessada, foram quase duas horas de troca de ideias. Fora que todo mundo nos recebeu com um carinho impressionante, com todo o calor que quem mora nos trópicos tem no sangue. Nós da Malagueta agradecemos muito! Renata Pimentel, professora de literatura das faculdades Fafire e Facho de Recife, brincou bastante com as expectativas que todos temos a respeito de lésbicas; Elisa Nóbrega, professora de história da Universidade Estadual da Paraíba, falou sobre a Malagueta ser uma ruptura contra a homofobia; Karina Dias, a próxima autora a ser publicada pela Malagueta, falou de sua escrita; Laura Bacellar, editora da pimenta literária, apresentou o projeto da Malagueta, e a atriz Laís Vieira nos brindou com uma leitura deliciosa de trechos do Shangrilá. Todas as fotos foram gentilmente cedidas por Letícia Paes.
Nossa festa foi muito simpática, gostaríamos de agradecer a todas as moçoilas que nos prestigiaram! Apareceram mulheres animadas, sorridentes, do grupo Umas & Outras, do site Livre Arbítrio, leitoras da Malagueta, futuras autoras, escritoras, amigas e amigos, até algumas simpatizantes. Ficamos felizes e esperamos que quem foi tenha gostado também!
É com orgulho que a Editora Malagueta lança Shangrilá, o primeiro livro de uma jovem autora brasileira que não pertence ao eixo Rio-São Paulo. Apesar de morar em Recife, Marina Porteclis brinda as leitoras com um romance ambientado na zona da mata de Alagoas, que ela conhece intimamente. Para quem sempre imaginou como acontece o amor entre mulheres longe das metrópoles, eis aqui a resposta em ritmo ágil e sensual. Mas não é só o calor e a beleza do Nordeste que nos chegam através das páginas de Shangrilá, há também a preocupação em se viver de forma íntegra e assumir com honestidade os sentimentos. A autora aborda com delicadeza a questão da família, do preconceito e da coragem de uma mulher homossexual ser quem ela é. Tudo isso através da história de Mariana Villa-Real, uma moça valente e decidida que com certeza vai encantar as leitoras como encantou a todas nós aqui da editora. E as muitas moças que se interessam por ela nessa aventura deliciosa.
Opinião da editora
por Laura Bacellar
No dia 4 de julho as autoras Karina Dias, Mariana Cortez, Lúcia Facco e eu fizemos a 1ª. Conversa Lésbica Literária de Paraty durante a OFF FLIP. Foi muito interessante, com participação acalorada de várias moças da platéia e uma discussão que se estendeu por boas duas horas. Um dos temas levantados, e que aliás sempre surge quando se fala de literatura lésbica, é se uma pessoa com sensibilidade e imaginação tem condições de escrever um texto de temática lésbica – um homem como o Chico Buarque ou uma mulher hetero bem informada – ou se é preciso ser uma lésbica para tanto. Essa discussão tem defensores fortes de ambos os lados. Há uma nobre tradição que diz que a literatura não é documentária mas arte, e que para fazer arte a pessoa precisa ter sensibilidade e usar sua riqueza interior. Não precisa, assim, ter experimentado na pele tudo o que descreve. A outra ala desse embate costuma dizer que sim, é verdade que uma escritora não precisa ter vivido tudo o que coloca nas suas histórias (senão não existiria a ficção científica, por exemplo), mas pelo menos a essência ela necessita ter experimentado na sua alma, ou sua literatura soará falsa. É uma boa discussão. Uma das presentes argumentou que Kafka nunca virou uma barata gigante para escrever A metamorfose. Outra rebateu que ninguém virou uma barata gigante para saber se a descrição de Kafka é boa ou falsa... Apesar de achar a troca de idéias uma delícia, eu tenho uma posição definida a respeito: literatura lésbica precisa ser escrita por lésbicas. Como argumento, eu vou apresentar aqui nosso lançamento mais recente, o livro Amores cruzados, de Fátima Mesquita.