Conheço a Lúcia faz já uns bons anos e fico feliz de ter-me tornado amiga dela. Mas não é como amiga que falo aqui e sim como editora profissional. Publiquei o primeiro livro dela pelas Edições GLS em 2004, As heroínas saem do armário, que me deixou espantadíssima: foi a primeira dissertação de mestrado completamente legível que vi na vida! Parece um romance de tão interessante, inacreditável. E é isso o que a Lúcia consegue fazer sempre, unir a seriedade acadêmica de quem lé e pesquisa antes de emitir opiniões, aí soltar um texto cortante, acessível, provocador. Quem não acredita que leia o capítulo sobre a “Mulher-falo” nessa obra, que a Lúcia lê com o maior prazer em locais públicos, chocando ouvintes ao soltar a dúvida sobre por que o líquido lubrificante produzido pela vagina da mulher não tem nome popular, como a porra. A Lúcia é ótima porque instiga mesmo, convida a pensar. E é lésbica assumidíssima, com nome e sobrenome. E escreve um monte, é a lésbica mais publicada da literatura nacional. Confira só o que ela já escreveu e o que ela fala sobre escrita lésbica:
No dia 6 de fevereiroaconteceuna Livraria Café com Verso (a foto é a vista da janela) em Gonçalves, Minas Gerais, a Conversa sobre Literatura Lésbica na Serra. O dia estava lindo, ensolarado, e vieram mulheres de longe e de perto para prestigiar a Malagueta e Karina Dias: Rio de Janeiro (!), São Paulo, Amparo, Pouso Alegre e da própria Gonçalves. Ficamos conversando até o anoitecer, entre leituras de trechos e comentários das moças presentes, sobre a importância da literatura para a formação de uma identidade lésbica feliz. Depois, várias esticaram o programa na Kitanda, um restaurante delicioso de comida mineira como se deve. Se você passar por Gonçalves, não deixe de visitar a Livraria Café com Verso, da simpaticíssima Andréia, que mantém um acervo bem variado de livros gls.
Existem dois "manuais" que explicam o sexo entre mulheres, para quem está se iniciando nas delícias do amor feminino ou quem sabe quer ter inspiração para novas práticas. Os dois já são clássicos, mas claro que a gente aqui da Malagueta precisa oferecê-los: Kama sutra para lésbicas, da espanhola Alicia Gallotti, e Sexo entre mulheres, da maluquícima americana Susie Bright. Cá entre nós (que as estrangeiras não leiam essa opinião), acreditamos que nós, brasileiras, damos de dez a zero em sexualidade nessa turma do norte do planeta. Basta ler as descrições calientes em Shangrilá e Aquele dia junto ao mar... Como livros didáticos, no entanto, estes dois são muito bons (clique nas capas ou títulos para saber mais).
Leitoras falam de Karina Dias
Leitoras e a editora Laura Bacellar falam de suas impressões ao ler a autora de Aquele dia junto ao mar, do qual Karina Dias interpreta um trecho.
Novo livro da Editora Malagueta
Aquele dia junto ao mar , da super querida Karina Dias, é uma deliciosa história de amor, daquelas que deixa a leitora com o coração na mão, ansiosa por saber o que vai acontecer com as mulheres complicadas, cheias de problemas, mas ao mesmo tempo cheias de amor -- e muita atração apimentada! -- para dedicar uma à outra. Se você gosta de obras românticas, temos certeza de que vai adorar essa aqui. Como diz uma leitora de Karina, é bom você começar a ler quando tiver tempo, porque vai se enredar tanto que é bem capaz de passar a noite em claro querendo saber de Duda e Gabi. As primeiras leitoras vão receber exemplares autografados pela autora! Leia mais aqui.
Lançamento de Karina Dias
A Editora Malagueta terminou o ano com o lançamento de Aquele dia junto ao mar, de Karina Dias, que autografou seu livro na Livraria Cultura da avenida Paulista no dia 17 de dezembro. Apesar da chuva torrencial, as amigas e leitoras compareceram, criando um clima de festinha de confraternização muito simpático e descontraído. Faltou trocar o vinho branco por chope, talvez... Agradecemos a todas e todos os que foram até lá comprimentar a jovem autora e prestigiar o quarto livro da Editora Malagueta. No ano que vem tem mais!
Nós aqui da Malagueta mantemos vários títulos com grandes descontos para você não reclamar que não pode comprar. Viva a leitura lésbica! Veja só que livros interessantes a preços ótimos:
A deliciosa história de Babyji, uma adolescente indiana audaciosa, de R$ 47,50 por R$ 35! (clique nos títulos para ler mais sobre cada livro)
A vida agitada de Victória, a investigadora de polícia mais corajosa de nossas letras, de R$ 33,90 por R$ 22!
Postal de Alice Springs, o clássico dos clássicos das histórias românticas, com direito a paisagens exóticas na Austrália, de R$ 31,00 por R$ 22!
Elas contam, uma antologia de contos bem variados, organizada por Lúcia Facco, de R$ 30,00 por R$ 22.
Astrologia para gays e lésbicas, um guia divertido sobre os signos para você decifrar o seu amor, de R$ 41,20 por R$ 22. Olhe que desconto incrível!
Aproveite que é só enquanto durarem os estoques.
Lota e Bishop em duas versões
Lota Macedo Soares e Elizabeth Bishop foram um casal dos mais interessantes a circular pelo Rio de Janeiro nos anos 1950. Lota envolveu-se na criação do Aterro do Flamengo, enquanto Bishop foi uma poeta premiada com o Pulitzer. As duas viveram juntas um grande amor em seu sítio em Petrópolis, naquele espaço entre o admitido e o oculto da alta sociedade de que faziam parte. Em Invenções de si em histórias de amor: Lota & Bishop, a autora conta essa história e muito do que acontecia em volta, descrevendo a cidade maravilhosa daqueles anos e os ambientes onde as lésbicas transitavam. Uma bela contribuição à história das mulheres que amam mulheres, como diz James Green no prefácio. Em Flores raras e banalíssimas, o já clássico relato de Camen Oliveira agora em nova edição, acompanhamos as duas interessantes mulheres se conhecendo e apaixonando enquanto trabalham e viajam. Duas biografias imperdíveis!
Lésbicas: escritoras brasileiras
Aconteceu no dia 21 de novembro, sábado, na Livraria Cultura um encontro de várias tribos de todas as idades para falarmos de escritoras novas e relembrarmos as antigas, organizado pela Editora Malagueta e pelo site Livre Arbítrio. Apesar do pouco espaço para tantas mulheres, a conversa aconteceu de forma descontraída e várias das meninas leram trechos de suas obras ou poemas. Houve uma demonstração clara de que há necessidade de mais oportunidades de encontros como este, para que as pessoas possam entrar em contato com a cultura lésbica e as mulheres que a fazem. Todas as fotos que publicamos aqui foram tiradas por Stella Couto, que gentilmente as cedeu à Malagueta.
Matéria super simpática escrita por Ciça Vallerio e publicada no jornal O Estado de S.Paulo de domingo, dia 15 de novembro de 2009, no Suplemento Feminino. Olhe só que bacana um jornal que costumava ser tão conservador dando espaço para lésbicas!
Uma editora engajada
O primeiro e único selo editorial da América do Sul especializado em publicações para lésbicas completa um ano
PIONEIRISMO – Hanna (esquerda) e Laura comemoram o lançamento do quarto livro da Malagueta
A Malagueta é um empreendimento de lésbicas para lésbicas. Este é o mote da única editora da América do Sul que publica livros voltados só para mulheres homossexuais. Após um ano de existência do negócio, as sócias Laura Bacellar e Hanna Korich se preparam para lançar este mês o quarto título e comemorar o resultado dessa empreitada. "Já participamos de várias feiras do livro, fizemos encontros literários em muitos estados, firmamos parcerias com livrarias independentes e, o mais importante, estamos contribuindo para a ampliação da cultura lésbica, que é uma maneira de erradicar o preconceito", avisa Laura, de 49 anos, respeitada profissional do mercado editorial, com passagens pelas principais editoras do País. Foi ela que lançou o selo GLS, criado dentro da Summus, e o primeiro do País dedicado às minorias sexuais. Quando Laura fala em "ampliar a cultura lésbica" significa aumentar a visibilidade das homossexuais para que essas mulheres possam ser aceitas cada vez mais pela sociedade e por elas próprias. "Ao contrário dos homens gays, fomos ensinadas a ficar quietas", ressalta. "Mas a nova geração já começa a mudar isso, tornando-se menos invisível. Mesmo assim, tudo o que é produzido na nossa cultura só é pensado para as mulheres heterossexuais, apesar de pesquisas do porte do Relatório Kinsey revelarem que 10% das mulheres são lésbicas."